A pensão por morte é um dos benefícios mais importantes pagos pelo INSS, pois garante amparo financeiro aos dependentes do segurado que faleceu. Apesar disso, é comum que o valor pago seja menor do que o devido, seja por erro de cálculo, falha na análise do INSS ou até mesmo pela falta de reconhecimento de períodos de contribuição do segurado.
Nesses casos, os dependentes podem ter direito à revisão da pensão por morte, medida que pode aumentar o valor mensal e gerar pagamento de valores atrasados.
Neste artigo, vamos explicar em detalhes:
- O que é a revisão da pensão por morte;
- Quando ela é possível e quem pode pedir;
- Quais documentos são necessários;
- Exemplos práticos de casos de revisão;
- É possível revisar a pensão por morte no INSS?;
- Como solicitar a pensão por morte no Meu INSS – passo a passo;
- Perguntas frequentes sobre a revisão da pensão por morte;
- Conclusão;
O que é a revisão da pensão por morte?
A revisão da pensão por morte é o pedido de recálculo do benefício pago pelo INSS, quando se verifica que o valor concedido está incorreto.
Esses erros podem ocorrer:
- Na aposentadoria do segurado falecido (se ele já recebia benefício);
- No momento da concessão da pensão (quando o INSS não aplicou corretamente a lei).
O objetivo da revisão é garantir que os dependentes recebam exatamente o valor devido, corrigindo eventuais prejuízos.
Quando é possível pedir a revisão?
Existem diversas hipóteses em que o pedido de revisão pode ser feito. As mais comuns são:
1. Erro no cálculo da aposentadoria do falecido
Se o segurado já era aposentado, mas o INSS calculou errado sua aposentadoria (desconsiderando tempo especial, períodos de contribuição ou aplicando fórmula incorreta), a pensão será paga em valor menor.
👉 Nesse caso, é possível revisar tanto a aposentadoria do falecido quanto a pensão.
2. Falecido que já tinha direito à aposentadoria
Há situações em que o segurado já poderia se aposentar, mas faleceu antes de pedir o benefício. O INSS, nesses casos, calcula a pensão de forma equivocada, sem considerar a aposentadoria correta a que ele teria direito.
3. Erros de vínculos e salários de contribuição
Se o INSS deixou de computar vínculos empregatícios, salários ou períodos de contribuição (comuns em atividades rurais, autônomos e MEIs), o valor da pensão pode estar menor.
4. Revisões reconhecidas pela Justiça
Algumas teses jurídicas podem impactar diretamente a pensão por morte, como:
- Revisão da Vida Toda (ainda em discussão, mas que pode beneficiar dependentes);
- Inclusão de tempo especial (insalubridade, periculosidade, trabalhos nocivos);
- Períodos de trabalho rural ou de serviço militar não considerados.
5. Erros materiais simples
Casos de falhas aritméticas ou de atualização monetária também podem justificar revisão.
Quem pode pedir a revisão?
O direito à revisão pertence aos dependentes que recebem a pensão por morte, como:
- Cônjuge ou companheiro(a);
- Filhos menores de 21 anos, ou inválidos;
- Pais dependentes economicamente;
- Irmãos menores de 21 anos ou inválidos.
Mesmo que o benefício esteja dividido entre mais de um dependente, qualquer um deles pode pedir a revisão.
Qual o prazo para pedir a revisão?
O pedido de revisão da pensão por morte deve ser feito dentro do prazo decadencial de 10 anos.
Mas o que isso significa?
No Direito, “decadência” é o prazo limite para exercer um direito. Ou seja, se esse prazo expirar, você perde a possibilidade de pedir a revisão, mesmo que o cálculo esteja errado.
No caso da pensão por morte, esse prazo começa a contar a partir da concessão do benefício. Se a pensão for derivada de uma aposentadoria, o prazo também pode ser contado a partir da concessão da aposentadoria original.
Detalhe importante: o prazo de 10 anos começa no mês seguinte ao primeiro pagamento realizado pelo INSS.
Portanto, é fundamental ficar atento ao tempo decorrido desde a concessão da pensão ou da aposentadoria que a originou.
Além disso, se for constatado erro no cálculo, é possível solicitar não apenas a correção do valor mensal, mas também os valores atrasados dos últimos 5 anos, devidamente corrigidos.
É possível revisar a pensão por morte no INSS?
Sim. A pensão por morte também pode ser objeto de revisão, e não apenas as aposentadorias, como muitos segurados acreditam. Trata-se de medida voltada a corrigir eventuais equívocos no cálculo ou na concessão do benefício, assegurando que os dependentes recebam o valor efetivamente devido.
A seguir, explicaremos as principais hipóteses de revisão, considerando tanto os benefícios concedidos antes da Reforma da Previdência (até 13/11/2019) quanto aqueles concedidos após a Reforma.
1. Revisão da pensão por morte pré-Reforma (até 13/11/2019)
Antes da Reforma da Previdência, a legislação permitia algumas revisões específicas, dentre as quais se destacam:
a) Revisão da Lei nº 13.135/2015
Até fevereiro de 2015, a pensão por morte correspondia a 100% da aposentadoria recebida pelo segurado falecido, ou daquela a que teria direito se fosse aposentado por invalidez.
Entretanto, em 01/03/2015, um decreto reduziu esse valor, estabelecendo o pagamento de 50% da aposentadoria acrescido de 10% por dependente. Essa alteração resultou em significativa diminuição das pensões.
Poucos meses depois, em 17/06/2015, o decreto foi revogado e restabeleceu-se o cálculo de 100%. O INSS chegou a efetuar revisões automáticas, mas não contemplou a totalidade dos casos, deixando muitos dependentes prejudicados sem sequer terem conhecimento do direito.
👉 Assim, quem recebeu pensão nesse período (01/03/2015 a 17/06/2015) pode ter direito à revisão, devendo buscar a análise de um advogado especializado.
b) Revisão do Artigo 29 da Lei nº 8.213/91
O artigo 29 prevê que o cálculo do benefício deve considerar a média dos 80% maiores salários de contribuição.
Entre 17/04/2002 e 29/10/2009, o INSS desrespeitou essa regra e utilizou 100% dos salários, o que reduziu o valor de diversas aposentadorias, auxílios-doença e pensões por morte.
Em 2012, após ação civil pública, o INSS reconheceu a falha e comprometeu-se a revisar automaticamente os benefícios, com pagamentos escalonados até 2021. Contudo, muitos segurados e dependentes não receberam a revisão.
👉 Caso a revisão da sua pensão por morte não tenha sido realizada, ainda é possível buscar judicialmente a correção.
c) Revisão do teto
Nos anos de 1998 e 2003, os tetos previdenciários foram reajustados (para R$ 1.200,00 e R$ 2.400,00, respectivamente), em índices superiores à inflação. Isso ocasionou distorções para segurados e dependentes que já estavam recebendo benefícios com valores limitados ao teto anterior.
O STF reconheceu a possibilidade de revisão para adequar os benefícios aos novos limites.
👉 Essa revisão é aplicável a pensões concedidas entre 05/04/1991 e 31/12/2003.
2. Revisão da pensão por morte pós-Reforma (a partir de 13/11/2019)
Com a Reforma da Previdência, a forma de cálculo da pensão por morte foi alterada, passando a considerar o tempo de contribuição do segurado falecido. Assim, quanto maior o tempo de contribuição, maior poderá ser o valor da pensão.
Nesse contexto, é possível buscar revisão por meio de:
- Reconhecimento de tempo especial (atividades insalubres ou perigosas);
- Comprovação de tempo de serviço rural;
- Reconhecimento de vínculos empregatícios em ações trabalhistas.
Para tanto, podem ser exigidos documentos como:
- PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário);
- LTCAT (Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho);
- Contratos e registros de atividade rural (ex.: cadastro no Incra, escritura ou arrendamento);
- Sentença trabalhista reconhecendo vínculo de emprego;
- Extratos e registros no CNIS.
👉 Ainda que a legislação atual tenha restringido os valores, é possível que a inclusão de novos períodos de contribuição aumente o valor da pensão recebida.
A revisão da pensão por morte é um direito assegurado em diversas situações e pode representar não apenas a elevação do valor mensal, mas também o recebimento de atrasados significativos.
Diante da complexidade das regras e da necessidade de análise minuciosa da legislação aplicável a cada época, recomenda-se a atuação de advogado especialista em Direito Previdenciário.
Como solicitar a pensão por morte no Meu INSS – passo a passo
O pedido de pensão por morte pode ser realizado de forma simples e prática pelo sistema Meu INSS, disponível em versão web (site) e aplicativo para celular.
Confira o passo a passo:
- Acesse o portal Meu INSS ou abra o aplicativo;
- Clique em “Entrar com gov.br”;
- Informe o número do seu CPF e clique em “Continuar”;
- Digite a sua senha cadastrada no sistema gov.br e selecione “Entrar”;
- Na barra de pesquisa, digite “Pensão por Morte”;
- Clique em “Pensão por Morte Urbana” (ou a modalidade correspondente ao caso);
- Atualize seus dados cadastrais, caso seja solicitado;
- Siga as orientações da plataforma e anexe os documentos comprobatórios necessários.
📌 Durante o procedimento, podem ser exigidos documentos como:
- Certidão de óbito do segurado;
- Documentos de identificação pessoal do dependente;
- Comprovantes de dependência econômica (quando aplicável);
- CNIS e documentos relacionados à atividade do segurado falecido.
É importante observar que a documentação exigida varia conforme a classe do dependente. Por exemplo, para cônjuges e filhos menores, em regra, a dependência econômica é presumida, não sendo necessário comprovar. Já para pais e irmãos, será obrigatória a apresentação de provas de dependência.
Perguntas frequentes sobre a revisão da pensão por morte
A seguir, esclarecemos algumas das dúvidas mais comuns relacionadas à revisão da pensão por morte:
🔹 Como é realizada a revisão da pensão por morte?
A revisão ocorre mediante a apresentação de um pedido administrativo junto ao INSS, que pode ser protocolado pelo site ou aplicativo Meu INSS.
Entretanto, considerando a complexidade dos cálculos envolvidos e a recorrente dificuldade técnica do órgão previdenciário em reconhecer determinadas revisões, recomenda-se fortemente a atuação de um advogado especialista em Direito Previdenciário, a fim de aumentar as chances de êxito e evitar prejuízos ao beneficiário.
🔹 É possível revisar a aposentadoria do segurado falecido?
Sim.
Quando a pensão por morte tem como base a aposentadoria anteriormente recebida pelo segurado, o dependente pode pleitear a revisão dessa aposentadoria, com reflexos diretos no valor da pensão.
No entanto, esse pedido deve ser realizado dentro do prazo decadencial de 10 anos, contado a partir da concessão do benefício original.
🔹 Quem tem direito à revisão da pensão por morte?
Todos os dependentes habilitados ao benefício possuem o direito de requerer a revisão, desde que observados os requisitos legais.
Isso abrange as três classes de dependentes previstas na legislação previdenciária:
- Primeira classe: cônjuge, companheiro(a) e filhos menores de 21 anos ou inválidos;
- Segunda classe: pais;
- Terceira classe: irmãos menores de 21 anos ou inválidos.
Portanto, qualquer dependente que perceba a pensão por morte pode solicitar a revisão, sempre dentro do prazo de 10 anos.
Conclusão
Solicitar a revisão da pensão por morte é uma alternativa essencial para garantir que os dependentes recebam o valor justo do benefício. Muitas vezes, o INSS comete erros no cálculo ou deixa de considerar períodos de contribuição do segurado, o que pode reduzir significativamente a renda da família.
Mesmo com a possibilidade de pedir a revisão administrativamente, grande parte dos pedidos são negados ou resultam em correções insuficientes. Isso acontece, na maioria das vezes, por falta de documentos adequados, falhas no CNIS ou simples desconhecimento dos direitos previdenciários.
Por isso, se você acredita que está recebendo um valor menor do que deveria, não deixe de buscar orientação. A revisão pode significar não apenas um aumento no valor mensal da pensão, mas também o recebimento de atrasados bastante expressivos.
💡 Leia também: Viúva tem direito à pensão por morte?
Um advogado previdenciário pode te ajudar a:
- Analisar se o valor da sua pensão está correto;
- Identificar possíveis erros no cálculo do benefício;
- Reunir e organizar a documentação necessária;
- Ingressar com o pedido mais vantajoso, seja administrativo ou judicial.
Se este conteúdo te ajudou, compartilhe com outras pessoas que também recebem pensão por morte. Informação clara e orientação de qualidade podem garantir mais segurança financeira para você e sua família.
Até o próximo artigo!

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