Listas de doenças consideradas deficiência grave e benefícios

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Você sabia que muitos segurados do INSS deixam de receber benefícios previdenciários ou assistenciais simplesmente por falta de informação ou por erros na documentação?

Quando falamos em deficiência, muitas pessoas imaginam apenas limitações visíveis ou condições congênitas. No entanto, diversas doenças — físicas, mentais, sensoriais ou intelectuais — podem ser reconhecidas como deficiência de longo prazo, desde que causem limitações que impeçam a plena e efetiva participação da pessoa na sociedade em igualdade de condições com as demais.

E esse reconhecimento é fundamental para garantir direitos como aposentadoria com critérios diferenciados, o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS), isenções fiscais e cotas em concursos públicos.

Neste artigo, você vai entender em detalhes:

📌 Conteúdo:
1️⃣ O que é considerado deficiência para o INSS;
2️⃣ Diferença entre deficiência e doença grave;
3️⃣ Lista de doenças que podem ser consideradas deficiência;
4️⃣ Benefícios previdenciários e assistenciais disponíveis;
5️⃣ Diferença entre aposentadoria por deficiência e BPC/LOAS;
6️⃣ Como é feita a avaliação médica e social;
7️⃣ Documentos necessários para o reconhecimento;
8️⃣ O que fazer se o INSS negar o pedido;
9️⃣ Conclusão.

O que é considerado deficiência para o INSS?

Segundo a Lei Complementar 142/2013 e o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015), pessoa com deficiência é aquela que tem impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Importante: o INSS só considera deficiência quando as limitações forem de longo prazo, ou seja, que perduram por pelo menos 2 anos e geram impactos funcionais.

Qual a diferença entre deficiência e doença grave?

Doença grave é um termo utilizado para condições específicas listadas em lei (como câncer, HIV, esclerose múltipla etc.) que podem isentar de carência para certos benefícios ou gerar isenções fiscais.

Já a deficiência envolve uma análise mais funcional: mesmo doenças que não estão na lista de doenças graves podem ser consideradas deficiência se causarem limitações duradouras.

Ou seja: nem toda doença grave é uma deficiência e nem toda deficiência precisa ser uma doença “grave” segundo a legislação. A chave está na incapacidade funcional de longo prazo.

Lista de doenças que podem ser consideradas deficiência

Não existe uma lista fechada. O reconhecimento depende do impacto da doença na funcionalidade da pessoa. No entanto, algumas condições frequentemente reconhecidas como deficiência incluem:

➤ Doenças físicas:

  • Paralisias e hemiplegias
  • Amputações (com ou sem uso de prótese)
  • Doenças musculares degenerativas
  • Artrose e artrite grave
  • Doenças reumáticas avançadas
  • Doença de Crohn e colite ulcerativa em estágio severo

➤ Doenças neurológicas:

  • Esclerose múltipla
  • Doença de Parkinson
  • Acidente vascular cerebral (AVC) com sequelas
  • Epilepsia de difícil controle

➤ Deficiências sensoriais:

  • Surdez bilateral
  • Baixa visão severa ou cegueira
  • Surdocegueira

➤ Deficiências intelectuais ou mentais:

  • Autismo (TEA)
  • Síndrome de Down
  • Esquizofrenia
  • Transtorno bipolar grave
  • Deficiência intelectual leve a profunda

Essas doenças podem ser consideradas deficiência caso limitem as atividades habituais do indivíduo, o que será avaliado pela perícia médica e social do INSS.

Quais benefícios estão disponíveis para pessoas com deficiência?

A depender da situação do segurado, é possível solicitar:

  • Aposentadoria por tempo de contribuição da pessoa com deficiência
  • Aposentadoria por idade da pessoa com deficiência
  • BPC/LOAS para pessoa com deficiência (sem necessidade de contribuição)
  • Auxílio-inclusão (benefício pago a quem retorna ao trabalho após receber o BPC)
  • Isenção de impostos (IR, IPI, ICMS, IPVA)
  • Prioridade em concursos, cotas e atendimento

Diferença entre aposentadoria por deficiência e BPC/LOAS

Segue abaixo uma tabela comparativa clara:

CaracterísticaAposentadoria da pessoa com deficiênciaBPC/LOAS da pessoa com deficiência
Exige contribuição ao INSSSimNão
Valor do benefícioPode ser maior que 1 salário mínimo1 salário mínimo
13º salárioSimSim
Gera pensão por morteSimNão
Exige avaliação social e médicaSimSim

Como é feita a avaliação da deficiência no INSS?

O INSS realiza uma avaliação biopsicossocial, que considera dois aspectos:

Perícia médica: avalia os laudos, exames e faz a análise da limitação funcional causada pela doença;

Avaliação social: feita por assistente social, considera o contexto de vida, acesso à educação, transporte, barreiras sociais, entre outros.

Essa avaliação conjunta é obrigatória para todos os benefícios por deficiência.

Quais documentos são importantes?

A seguir, os documentos que aumentam as chances de reconhecimento da deficiência:

  • Documentos pessoais (RG, CPF, comprovante de residência)
  • Histórico de tratamentos médicos
  • Laudos atualizados com CID e descrição da limitação
  • Relatórios de médicos especialistas
  • Exames (ressonâncias, tomografias, exames neurológicos, audiometria etc.)
  • Declaração de escola (em caso de deficiência intelectual)
  • Relatórios de terapias (fonoaudiologia, fisioterapia, psicologia)

E se o INSS negar?

Infelizmente, não são raros os casos em que o INSS nega o reconhecimento da deficiência e, consequentemente, indeferem benefícios como a aposentadoria da pessoa com deficiência ou o BPC/LOAS, mesmo quando o segurado ou requerente apresenta documentos médicos e comprovações claras da sua limitação.

Essa negativa pode ocorrer por diversos motivos, como:

  • Laudos incompletos ou sem detalhes técnicos suficientes;
  • Interpretação equivocada por parte da perícia médica ou social;
  • Falta de documentação complementar no momento da análise;
  • Dificuldade da equipe do INSS em compreender a real extensão da limitação funcional do requerente.

Se isso aconteceu com você ou com alguém que você conhece, não desanime. A legislação previdenciária permite que o segurado ou beneficiário recorra da decisão e tenha seu pedido reavaliado. Veja os caminhos possíveis:

1. Recurso administrativo

Você tem o direito de apresentar um recurso contra a decisão do INSS, diretamente na plataforma Meu INSS ou com protocolo físico. É possível:

  • Apresentar novos documentos (como laudos médicos mais completos, exames complementares, relatórios de profissionais da saúde ou assistentes sociais);
  • Solicitar uma nova perícia médica e social, com base em elementos não considerados anteriormente;
  • Explicar de forma mais clara, por meio de petição técnica, os impactos da deficiência no seu dia a dia.

Esse recurso será analisado pela Junta de Recursos da Previdência Social, composta por servidores que reavaliam os casos de indeferimento.

2. Ação judicial

Caso o recurso administrativo também seja negado ou você opte por não aguardar, é possível levar o caso à Justiça Federal. A via judicial tem como principais vantagens:

  • Nova perícia judicial, realizada por profissional imparcial nomeado pelo juiz, o que pode garantir uma análise mais justa e técnica;
  • Maior possibilidade de apresentar provas orais, testemunhais e periciais;
  • Agilidade em casos urgentes, especialmente quando há risco à subsistência do segurado.

Muitas decisões indeferidas pelo INSS são revertidas na Justiça, inclusive com pagamento retroativo dos valores devidos.

3. Reorganização da documentação

Em ambos os casos (administrativo ou judicial), é fundamental contar com uma documentação médica e funcional sólida, que demonstre claramente:

  • A natureza da limitação (física, sensorial, intelectual ou mental);
  • A duração do impedimento (mínimo de 2 anos para ser caracterizado como deficiência);
  • O impacto na vida diária, no trabalho e na participação social do indivíduo.

Vale reforçar que laudos médicos genéricos ou sem detalhamento técnico têm pouco peso na análise. Por isso, é importante ter relatórios bem elaborados, com CID, descrição clínica, evolução do quadro e justificativas sobre a limitação funcional.

O papel do advogado previdenciário

Contar com um advogado previdenciário especializado faz toda a diferença nessa fase. Esse profissional pode:

  • Identificar falhas no processo e na análise feita pelo INSS;
  • Auxiliar na organização dos documentos e na elaboração de laudos mais completos;
  • Redigir petições técnicas de recurso ou ação judicial;
  • Acompanhar o caso até o recebimento do benefício, garantindo os direitos do segurado ou do beneficiário.

Se você teve seu benefício indeferido ou tem dúvidas sobre o processo, não enfrente isso sozinho(a). O apoio jurídico especializado pode ser o diferencial entre a negativa e a conquista do benefício que você tem direito.

Conclusão

Muitas pessoas convivem com doenças crônicas, limitações e barreiras sociais sem saber que têm direito ao reconhecimento como pessoa com deficiência. Esse reconhecimento pode abrir portas para benefícios importantes, como a aposentadoria especial, o BPC/LOAS e outras garantias legais.

Porém, é comum o INSS negar esses pedidos — muitas vezes de forma indevida — por falta de documentação adequada ou avaliação incorreta.

Por isso, se você enfrenta limitações há mais de dois anos e teve o benefício negado, não desista! Procure um Advogado Previdenciário Especializado!

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Até o próximo artigo!

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